Opiniões com Garra

A importância de debater o HOJE: 25 de Novembro

A importância de debater o HOJE: 25 de Novembro

Hoje celebra-se o “Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres”, apesar de esta não ser a única efeméride associada ao vigésimo quinto dia de Novembro. Mas isso são outros quinhentos e toda a gente sabe que à quarta-feira não há cá pachorra para politiquices. Hoje, vestimos rosa. Ou outra cor qualquer, na verdade. Liberdade de escolha e cenas.

Sem grande tempo para dedicar a sarcasmos e porque o assunto é sério, aproveito para realçar que o problema da violência de género não deve cair em esquecimento nem no presente dia, nem em qualquer outro do ano. A violência contra a mulher tem raízes antigas e perturbadoramente profundas, estendendo-se ao presente. Neste sentido, o tema da desigualdade ganha uma urgência eminente. Porquê? Porque rebaixa, agride, manipula, silencia, viola. Mas, acima de tudo, porque mata.

Hoje não há quote empoderador que seja suficientemente revolucionário; não enquanto mil mulheres aguardam a luz ao fundo do túnel a oceanos de distância e outras tantas abafam o choro na almofada, quiçá mesmo no prédio ao lado. As realidades são várias e tão duras que, muitas vezes, nem cruzam o nosso pensamento.

Hoje estou introspetiva. Sinto-me impotente, porém expectante. É quase como se estivesse de luto, se é que tal faz sentido. E porque o muito nem sempre basta, esta minha reflexão nada mais é que uma enxurrada de palavras mais ou menos bem alinhadas. Quanto muito, um apelo para quem leia. Assim o espero.

A todas as mulheres dirijo, pois, as mesmas palavras que outrora escrevi noutras andanças, por julgá-las intemporais – o que, infelizmente, só prova que nada mudou nos entretantos. Dedico, por isso, e com pesar, este dia:

Às que sonham ser livres das amarras do patriarcado;
Às que tentam fugir ao máximo das projeções irrisórias do sexo masculino sobre si;
Às que se fazem ouvir mesmo entre multidões de homens furiosos;
Às que dizem “não” às expetativas de servilismo e conformismo;
Às que resistem face à tentativa de objetificação e comercialização do seu corpo;
Às que cuja voz lhes foi tomada, condenadas a um silêncio ensurdecedor;
Às que deram o corpo ao manifesto e hoje jazem em nome da revolução.

Em suma, a todas aquelas que, num mundo em que querer ser dona do próprio destino é visto por muitos como um ato de rebelião, ajudam a/ajudaram a/anseiam por quebrar estereótipos independentemente da raça, etnia, idade, classe ou religião.

O processo rumo à igualdade é moroso; bem sei. Mas o meu idealismo típico não me deixa parar de sonhar, de querer, e muito menos de dialogar. O “amanhã” urge, mas a mudança começa hoje, junto dos nossos, da nossa família, amigos e restante comunidade. Começa no chamar a atenção para a piada de mau gosto que se fez no café; no não validar o comportamento abusivo daquele amigo que proíbe a namorada de fazer x coisa sob ameaça de terminar a relação; no denunciar aquele vizinho que agride a mulher, mas como “é trabalhador e honesto”, por norma até costuma passar entre os pingos da chuva; no atentar aos sinais de abuso em mulheres que nos são próximas, que por vezes não se traduzem fisicamente; no desaprender de construções sociais, logo em tenra idade, como a de que a mulher é propriedade do seu companheiro, devendo por isso ser-lhe subserviente.

Enquanto a sociedade continuar a lucrar com a marginalização feminina, falaremos de machismo abertamente SIM. Ele existe, e está longe de se extinguir. Incentivemos os nossos primos, irmãos, filhos, amigos e colegas de trabalho para que tenham mais empatia, para que melhor percebam o tamanho desta ameaça tão invisível para uns, mas tão fatal para outrAs.

Marta Ferreira, 23 anos.

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