Opiniões com Garra

Sou Lacobrigense, e com orgulho.

“Sou Lacobrigense, e com orgulho.”

 

Quando me perguntam de onde sou, digo, com entusiasmo, “Sou de Lagos, no sul de Portugal!”. A verdade é que Lagos tem uma beleza extrema, atrevendo-me até a qualifica-la de pura, uma beleza natural e tão própria. Atenção, pois nesta descrição não incluo apenas as praias e as formações rochosas presentes nos postais, mas também a calçada portuguesa, ao longo da avenida principal com vista para o mar, o povo lacobrigense, amigável e acolhedor, e a gastronomia de crescer água na boca só de pensar no peixe e marisco em abundancia. Portanto, temos clima, beleza natural, gastronomia e cultura. Então, porque estão tantos jovens a optar cada vez mais por sair do país e deixar para trás a terra que tanto adoram?

Eu, tal como muitos outros jovens, desejo ver a minha cidade crescer e a juventude é o principal motor para tal, mas sem as devidas oportunidades, muitos preferem a vida fora da sua terra-natal, tal como eu o fiz. Portugal, e Lagos em concreto, é óptimo. Os estrangeiros cada vez mais compram as casas que nós não temos possibilidade de comprar enquanto nós lhes servimos cafés, imaginando um dia ter uma vida despreocupada como os nossos clientes em vez de pensar no que iremos fazer no Inverno quando a empresa onde trabalhamos fechar para “férias”. Há uma injustiça quase poética nesta matéria pois temos tudo o que uma localidade precisa para triunfar e no entanto, não o fazemos. A primeira vez que fui para fora de Lagos, como tantos outros adolescentes, foi durante a minha licenciatura, dividida entre Lisboa e Pisa, Itália. Terminados os meus estudos, permaneci em Lisboa a trabalhar mas em pouco tempo voltei para Lagos, onde trabalhei, desta vez na área de Turismo, antes de voltar aos estudos, escolhendo Londres como o local para o meu Mestrado. Verdade seja dita, o que queria mesmo era ficar em Lagos, mas as perspetivas laborais para jovens recém-licenciados é baixa, tendo os jovens muitas vezes de se sujeitar ao que chamam “estágios” não-remunerados em que a probabilidade de ficar permanentemente na empresa é mínima. A menos que conheçam um dos gerentes, nesse caso até salário o estagiário tem. Isto é de facto um exagero e espero que não me levem a mal, pois alguns estágios são de facto verídicos e bem-intencionados.

Ainda assim, não consigo esconder o orgulho sempre que falo em Lagos. Ao especializar-me em Turismo, vejo vantagens desaproveitadas na nossa cidade e pergunto-me: porque este desaproveitamento? A culpa será de facto do governo, como o povo aponta frequentemente, ou dos jovens, que não se importam com a sua cidade e em vez disso, preocupam-se mais com a quantidade de likes que terão na sua mais recente publicação? Ou será uma mistura dos dois? Será esta uma questão demasiado grande para o povo ponderar? Não, não é. O problema é não existirem pessoas suficientes a pensar no assunto por acharem que não fará diferença. Confesso que não é fácil sem um jovem recém-licenciado em Portugal, muito menos em pequenas cidades como Lagos, mas ainda assim, é esta a cidade que escolhemos chamar de “lar”, a cidade a que, tendo a oportunidade para tal, desejo voltar. Somos mimados por esta terra que embora tenha as suas falhas, nos faz sentir uns sortudos por podermos dizer “Ah conheces Lagos? Eu sou de lá” com todo o orgulho e convicção. Sou Lacobrigense, e com orgulho.

 

Catarina Oliveira, 25 anos

Finalista do Mestrado em Gestão de Turismo Internacional, Universidade de Greenwich, UK