Opiniões com Garra

Um Eco no Tempo – 25 de Abril

“Um Eco no Tempo – 25 de Abril”

Há quarenta e quatro anos atrás, vermelhos cravos marcavam o tom de uma revolução há muito esperada por todos, preenchendo os canos de centenas de espingardas em sinal de protesto. Reza a lenda que estes teriam sido oferecidos aos soldados por Celeste Caeiro, desde então conhecida por “Celeste dos Cravos”.

A 25 de Abril de 1974, Celeste alegrou Lisboa com flores encarnadas. Hoje, o povo celebra o Dia da Liberdade sob céus iluminados por fogo de artifício, ao som de melodias várias que unem milhares de portugueses e enchem praças por todo o país em nome da Revolução. Entre os mais antigos, cantam-se temas de intervenção e recordam-se tempos passados, reavivando-se memórias de uma época dura. Ficam apenas as histórias de quem sofreu na pele as consequências de um regime opressivo, violento e controlador, contadas ao sabor do vento entre copos de vinho tinto num qualquer café.

Esta quarta-feira, os temas de Zeca Afonso, Manuel Alegre e outras personalidades fazem pleno sentido. As ruas ganham, de novo, cor e fazem-se desfiles em honra da Liberdade, unindo novos e velhos num jubileu de emoções que ficará, para sempre, registado no tempo e corações de muitos portugueses. Celebra-se o fim de um período de repressão, perpetrado por uma ditadura cuja inexorabilidade abalara a fé de um povo, mas mesmo assim não o impediu de sonhar com um amanhã melhor. A esperança abre portas e, por isso, hoje saudamos a abertura de um novo caminho – o caminho para o progresso, livre de censura; um caminho longo e promissor, porém, de estradas sinuosas e traiçoeiras.

Escrevo em espírito de louvor, mas também de apelo, porque cogito que a liberdade, além de ser um direito, é uma dádiva. Tomá-la como algo garantido é de tal forma enganador quanto redutor. Neste sentido, almejo conseguir exprimir em poucas linhas o meu pedido: que nunca deixemos de lutar, de querer, de acreditar. E porque nada somos sem uma voz, hoje quis fazer ouvir a minha, acompanhada do Fado e seus acordes vibrantes que me inundam o quarto de uma nostalgia tensa, suspicaz e ressonante, como um eco no tempo.

(Música: Grândola Vila Morena)

Marta Ferreira, 21 anos

Membro da Associação

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *